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24 de abril de 2017

[Resenha] A história do futuro de Glory O'Brien - A.S. King

Autor(a): A.S. King
Editora: Gutenberg
ISBN: 9788582354346
Páginas: 240
Ano: 2017
Skoob
Avaliação: 3/5

Sinopse: O fim do ensino médio é uma época de possibilidades infinitas – mas não para Glory O’Brien, uma jovem norte-americana que não tem nenhum plano para o futuro. Sua mãe cometeu suicídio quando Glory tinha apenas 4 anos, e ela nunca parou de se perguntar se seguiria o mesmo caminho… Até que numa noite transformadora ela começa a experimentar um novo e surpreendente poder que lhe permite enxergar o passado e o futuro das pessoas.
De antepassados a muitas gerações futuras, a jovem é bombardeada com visões – e o que ela vê pela frente é aterrorizante: um novo líder tirânico toma o poder e levanta um exército. Os direitos das mulheres desaparecem. Uma violenta segunda guerra civil explode. Jovens garotas somem diariamente, vendidas ou confinadas em campos de concentração.
Sem saber o que fazer, Glory decide registrar todas as suas visões, na esperança de que a sua História do Futuro sirva de alerta e evite o que vem por aí.
Mas será que as pessoas vão acreditar nela? Será que estarão dispostas a fazer o que é necessário para impedir a concretização daquele destino medonho?
Nesta obra-prima sobre feminismo, liberdade e escolhas, A. S. King mais uma vez nos brinda com seu realismo fantástico para contar a história de uma garota que tenta lidar com uma perda devastadora.

Oi, pessoal! A Editora Gutenberg entrou em contato com o blog oferecendo a cortesia de A história do futuro de Glory O'Brien e como eu amei Os dois mundos de Astrid Jones resolvi me jogar na leitura.

Achei a sinopse super interessante, afinal sou apaixonada por viagens no tempo e tal. O problema é que a condução da história não me agradou muito. Glory apresenta claros sinais de ter sido afetada pelo suicídio da sua mãe, o que é óbvio. Ela é muito introspectiva e a narrativa em primeira pessoa leva o leitor a perceber os sentimentos que ela tem de tristeza e melancolia. Isso foi um ponto positivo na construção da personagem.

Por outro lado, a coadjuvante de Glory, Ellie, me irritou demais. Ela é bem diferente de Glory, foi criada numa comunidade hippie e estudou em casa. O meu maior problema com ela foi a necessidade que ela tem em sempre estar certa, em sempre saber de tudo. E aí ela meio que menospreza Glory e a amizade que as duas tem.

Como disse anteriormente, o plot é muito interessante. As visões que Glory tem são muito diferentes das de Ellie, que nem tem muita importância no contexto geral, para ser sincera. O futuro, principalmente, é muito assustador e o pior: é crível. A autora conseguiu criar um universo onde as visões futurísticas realmente podem acontecer. É só a gente parar para analisar as notícias que nos cercam. São as guerras civis, os muitos crimes passionais e isso tudo no livro ganha uma proporção medonha e nisso a autora acertou em cheio.

Eu demorei muito a conseguir encontrar um ritmo bom para a leitura, porque a maior parte da leitura, para mim, foi arrastada. Somente quando Glory começa a tomar atitudes sobre as visões, a confrontar os seus problemas é que comecei a me envolver de verdade. E mesmo assim, no geral não foi tão proveitoso quanto o primeiro livro que li dela.

No geral, o livro é bom, levanta várias questões importantes que devem sim ser debatidas. O único ponto que me incomodou mesmo foi a forma como as cenas foram descritas, achei tudo meio parado e isso não favoreceu para o meu ritmo.

Obviamente que eu recomendo o livro, pois toda a discussão que ele levanta é importantíssima. E mesmo que eu não tenha gostado tanto, é um que merece ser lido.


Até a próxima!

26 de janeiro de 2017

[Resenha] Muito mais que o Acaso - Athos Briones

Autor(a): Athos Briones
Editora: Gutenberg
ISBN: 9788582353981
Páginas: 160
Ano: 2016
Skoob
Avaliação: 3/5

Sinopse: Victor é um garoto comum. Estudante de escola pública, ele adora jogar futebol e sonha em proporcionar um futuro melhor para a mãe e para a irmã. Tudo o que ele precisava era de uma oportunidade para que os seus sonhos, enfim, se tornassem realidade.
O empurrãozinho do destino chega quando Victor ganha uma bolsa de estudos no melhor colégio de São Paulo, graças ao seu talento no futebol. Perdido em um ambiente completamente novo e muito distante da realidade de sua vida, ele encontra refúgio entre os novos amigos e nos olhos claros de uma garota chamada Sophia, capaz de fazê-lo se sentir parte daquele mundo. Mas quando a mãe de Sophia se opõe ao relacionamento dos dois, os problemas do ensino médio surgem e as pessoas não são tão receptivas quanto parecem, Victor percebe que terá de vencer o preconceito e a discriminação para provar que o valor de uma pessoa não se mede pela sua origem, mas por suas ações.

Sabe aqueles livros que você torce o nariz de início, mas depois acaba voltando atrás? Foi meu caso com esse. No julguei forte o livro, por já ter visto tantas sinopses parecidas, mas quis tirar a prova real para ver se era isso mesmo.

Eu li dois livros da Bianca, mãe do Athos, e percebi que a escrita dele foi bastante influenciada pela da mãe. Existe algo meio cru no livro ainda, talvez por ser o primeiro dele, daí aquelas conexões entre as cenas algumas vezes falham.

O enredo segue bem a linha de livros desse gênero, no velho esquema garoto encontra garota, viram amigos, vocês conhecem bem. Senti uma vibe meio Malhação com relação aos contratempos que o casal enfrenta, toda a questão de diferença de classes sociais e os preconceitos que isso gera. Mas, Athos consegue fazer uma boa crítica a esse cenário, mostrando que caráter não está relacionado a quantos cifrões tem sua conta bancária.

Vitor é um rapaz gente boa, daqueles que vira amigo instantaneamente de todo mundo. Bem no estilo #paz, ele não se estressa fácil, mas sabe a hora de defender quem ele gosta. Sophia não é a mais popular do colégio, mas aos olhos do protagonista é a mais linda. O que começa como amizade, vira romance.

Aqui entra algo que me incomoda muito nos romances em geral: o amor miojo. Eu sou bem cética na história de amor à primeira vista, acredito que sentimento leva tempo para se consolidar, então quando vejo a pessoa movendo mundos e fundos por outra fico meio assim:


A narrativa é bem rápida e bem curta. Isso funciona para algumas partes, porém para outras ficou meio corrido, sugando um pouco daquelas conexões entre as cenas que comentei.

O livro é bem leve, a escrita é fluída e deu para perceber que Athos possui talento. Só precisa tomar o cuidado de não se basear muito na forma de escrita da mãe e acabar criando versões mais jovens dos livros delas.

No geral, Muito mais que o Acaso é um livro bom para todas as idades e gêneros. Se você estiver procurando algo no estilo, com certeza vai adorar.

8 de abril de 2016

[Resenha] A Lente de Marbury - Andrew Smith

Autor(a): Andrew Smith
Editora: Gutenberg
ISBN: 9788582351505
Páginas: 288
Ano: 2016
Skoob
Avaliação: 4/5 + ♥

Sinopse: Um sequestro, um assassinato, um par de óculos… Aos 16 anos, tudo o que Jack mais quer é curtir as férias de verão com seu melhor amigo, Conner, e eles vão dar uma grande festa para celebrar o fim das aulas. Mas algo dá muito errado! Jack perde a linha, fica bêbado e acaba caindo nas mãos de um maníaco que o droga e o sequestra. Ele escapa por um triz, e só conta o que sofreu para Conner. O amigo tenta tranquilizá-lo, dizendo que tudo vai acabar bem. Mas será que vai? A viagem de férias para a Inglaterra parece ser a oportunidade perfeita para se livrar de seus fantasmas, mas Jack sabe que sua vida nunca mais será a mesma. Em Londres, um estranho lhe entrega um par de óculos cujas lentes lhe mostram um outro mundo. Um local chamado Marbury. Marbury está em guerra. É um lugar desolador que cheira à morte e destruição, onde os poucos sobreviventes precisam fugir se quiserem continuar vivos. Nesse mundo apocalíptico, Jack é responsável por dois garotos mais jovens, que são seus únicos companheiros, e também precisa enfrentar Conner, que o persegue e quer matá-lo. Será que Jack conseguirá escapar e lutar com seu melhor amigo? Será que tudo o que ele viu nesse unverso paralelo é real, ou seriam apenas alucinações provocadas pelas drogas que o sequestrador lhe injetou? Como agir quando loucura e realidade se confundem? Jack está perdendo o controle e sua única certeza é que sua vida está em jogo.

Já conhecia a escrita do autor e sei como ela é viciante. No primeiro contato com ele, a narrativa era mais melancólica, mas aqui fui apresentada a um mundo distópico que me deixou sem fôlego. A Lente de Marbury é o primeiro livro de uma série e traz a história de Jack, que se depara com uma realidade bem diferente da que estamos acostumados.

A narrativa avança num ritmo frenético que de início me pareceu meio confuso, mas depois percebi que essa era a intenção do autor. O ponto de vista em primeira pessoa realmente mexeu com a minha cabeça, me fazendo questionar se aquilo tudo o que acontecia era real ou só maluquice da cabeça de Jack. O clima do livro é muito sombrio, mas não no estilo terrorzão que não te deixa dormir de noite. É mais como um thriller que vicia e você não consegue largar.

Eu gostei muito da construção dos personagens, todos eles são pontos chaves na trama. Conner, o melhor amigo de Jack, foi o que mais me surpreendeu, com seu amadurecimento no pensamento e com a sua outra personalidade em Marbury. Também achei muito importante a presença de Seth e sua história, contada em partes, que me deixou com vontade de sair caçando só essas partes para saber como terminaria.

O autor trabalhou muito bem os dois ambientes, a "realidade" e a de Marbury. Gostei muito da analogia feita com as varias camadas da matrioska. O enredo transita entre os dois locais e cada entrada e saída de um deles me pareceu como voltar de um afogamento.

Por ser o primeiro de uma série, é claro que existem várias pontas soltas. Algumas foram atadas durante a trama, mas outras que ficaram em aberto deixaram um verdadeiro nó na minha cabeça. Chegando perto do final, eu sabia que não seria capaz de largar o livro por nada nesse mundo e não me arrependo.

O final foi de arrepiar, uma das últimas partes envolvendo Conner me deixou com muitas dúvidas. Surgiram mais perguntas ainda na minha cabeça e daqui a pouco vou levantar a plaquinha "publica o segundo já, Gut" no Twitter.

A Lente de Marbury foi mais um livro excelente que li do Andrew e acredito que é um que vá agradar a todos. A diagramação da editora está muito boa, porém encontrei alguns erros na revisão, mas nada que prejudique seriamente a leitura. Recomendo muito a leitura!

25 de janeiro de 2016

[Resenha] Ela está em todo lugar - Cherie Priest

Autor(a): Cherie Priest
Editora: Gutenberg
ISBN: 9788582353257
Páginas: 272
Ano: 2015
Skoob
Avaliação: 5/5 + ♥

Sinopse: May e Libby criaram a PRINCESS X no dia em que se conheceram, e desde então tornaram-se inseparáveis. Através da personagem, as garotas mataram todos os dragões e escalaram todas as montanhas que foram capazes de imaginar. Até Libby e sua mãe morrerem em um acidente de carro. Três anos depois, May começa a ver imagens da PRINCESS X em adesivos e pôsteres por toda a cidade. Isso só pode significar uma coisa: Libby está viva. E May não vai parar enquanto não encontrá-la.

Desde o lançamento deste livro que pipocaram indicações, me dando a certeza de que seria uma leitura que eu iria amar. Não foi diferente. Ela está em todo lugar mistura drama, fantasia e aventura. Tendo todas as doses certas do que é necessário para criar uma heroína contemporânea para todos os gêneros e idades.

A amizade entre Libby e May começou de forma pouco convencional, mas a escrita da autora permite perceber o quão forte é a ligação que as duas possuem. A criação da Princesa X poderia ser apenas uma brincadeira infantil, porém se tornou uma peça chave na resolução de todo o mistério. A construção dos personagens é excelente, indicando que todos eles são partes fundamentais de um quebra cabeças, pois apesar de existirem personagens secundários, eles não estão lá apenas para serem plano de fundo.

A narrativa em terceira pessoa foi a escolha certa, permitindo uma abordagem da história que não tira o foco dos pontos principais. A escrita da autora é super fluida, o que tornou impossível eu desgrudar do livro. Existe também a presença da tecnologia, que traz vários elementos de fora e te dão vontade de ir ao Google pesquisar sobre as pistas que vão sendo deixadas a cada capítulo.

Existem tantas coisas incríveis no livro que eu fico com medo de esquecer alguma parte. Começando pela astúcia e perseverança de May, que mostraram que para ser parte do, digamos, elenco principal de um livro não é preciso ser alguém que só existe na ficção. A todo o momento podemos cruzar referências com a realidade, que tornam a personagem muito crível, sem contar que a presença de girl power no livro é ótima. May não se deixa abater pelas incertezas, se mantém firme nas suas convicções, porém continuando humilde e sabendo a hora certa de pedir ajuda.

Outro personagem que foi importante para o desenvolvimento do enredo foi Trick, um hacker que ajudou May a desvendar o mistério envolvendo a Princesa X. Eu achei incrível o fato da autora não ter tentado iniciar um romance entre os dois personagens, coisa que é bastante comum entre livros do gênero, e isso só aumentou o conceito do livro. A união dos dois em prol de um bem maior é o que guia, e quando os dois seguem a mesma linha de pensamento, fica possível ver que ele não está na história apenas para ser o nerd da computação.

O clima de suspense permanece durante toda a narrativa e as pistas que foram surgindo só aumentaram a minha curiosidade. O melhor de tudo é ir descobrindo junto com os personagens, sem partes óbvias ou que matem toda a charada. Além da história escrita, o livro ainda vem recheado de ilustrações no estilo HQ, que vão construindo a trama da Princesa X. O trabalho gráfico ficou maravilhoso e funcionou perfeitamente com a leitura.

Ela está em todo lugar sem dúvida entra para a categoria dos melhores livros que já li. A Princesa X é uma heroína autêntica e cativante. E com certeza irá te encantar com suas aventuras. A diagramação da editora ficou excelente e eu simplesmente amei a cor roxa utilizada. Leiam este livro, o mais rápido possível, prometo que não irão se arrepender.

17 de junho de 2015

[Resenha] Os Dois Mundos de Astrid Jones - A. S. King

Autor(a): A. S. King
Editora: Gutenberg
ISBN: 9788582352694
Páginas: 287
Tradutor: Santiago Nazarian
Ano: 2015
Skoob
Avaliação: 5/5 + ♥

“O movimento é impossível”. Com essa frase somos apresentados a Astrid Jones. Ela não é uma garota comum, pelo contrário, é extraordinária. Mas como toda adolescente possui suas dúvidas e preocupações. Uma peculiaridade do seu comportamento são os momentos em que ela fica observando os aviões no céu e mandando seu amor. Sim, isso mesmo. Muitos podem achar estranho, mas na verdade é incrível, assim como todo o enredo.

A narrativa é viciante e eu não consegui largar o livro até chegar a ultima página. Sem contar a quantidade infinita de quotes inspiradores. Com uma pegada filosófica, o enredo levante vários questionamentos e me trouxe a reflexão de como ando levando a minha vida.

A construção dos personagens foi excelente, confesso que fiquei chocada com algumas reviravoltas que apareceram. O interessante da história é que, mesmo com uma quantidade grande de personagens, nenhum deles fica em segundo plano. Cada um possui seu papel no livro e tem a importância para cada momento.

O livro é narrado pelo ponto de vista de Astrid, o que faz com que a conexão com o leitor seja bem maior. A autora conseguiu me colocar na mente da protagonista, sentindo tudo durante as páginas e torcendo por ela. Além disso, todos os questionamentos levantados por ela são ao mesmo tempo relevantes e hilários. Um ponto forte do livro é a mistura entre drama e humor. Sim, acontecem algumas coisas bem ruins, mas ao mesmo tempo existem elementos que são capazes de te arrancar uma risada em meio a lágrimas.

Outro ponto alto da leitura foi essa necessidade que a grande maioria possui de rotular tudo e todos. Astrid não sabe seu lugar, assim como muitos ela só está tentando se encontrar, e por conta disso é julgada. Obviamente ela tem comentários a respeito, mas o mais importante é que ela não se abala, mesmo com todos os “sussurros” que ela escuta. Ela também apresenta fraquezas e tem medo de se mostrar verdadeiramente, mas isso muda ao longo da narrativa.

Os Dois Mundos de Astrid Jones chegou para mim no momento certo. Foi uma leitura ao mesmo tempo reflexiva e gratificante. É um dos livros mais bonitos que já tive contato, e não falo apenas da capa ou da diagramação da editora. A história é de aprendizado e sobre se encontrar, sem se importar com os pré-conceitos. Disse nas redes sociais e repito: todos deveriam ler essa história maravilhosa.

"E eu não me importo se essas pessoas não me amam de volta. Isso não é para ser recíproco.
É uma entrega.
Porque se eu entregar tudo, então ninguém vai poder me controlar.
Porque se eu entregar tudo, estarei livre." Página 13

15 de setembro de 2014

[Resenha] A Extraordinária Garota Chamada Estrela - Jerry Spinelli

Autor(a): Jerry Spinelli
Editora: Gutenberg
ISBN: 9788582351444
Páginas: 192
Tradutor: Eric Novello
Ano: 2014
Skoob
Avaliação: 5/5 + ♥

Sinopse: A garota chamada Estrela. Ela é tão mágica quanto o céu do deserto. É tão estranha quanto seu rato de estimação. É tão misteriosa quanto seu próprio nome. Com um simples sorriso, ela captura totalmente o coração de Leo Borlock. Com sua alegria, ela incendeia uma revolução de liberdade e autenticidade no espírito de sua escola. No começo, os colegas encantam-se com ela por tudo o que a faz ser diferente. Mas isso começa a mudar, e Leo, apaixonado e apreensivo, percebe que a única coisa que pode salvá-la das críticas é a mesma que pode destruí-la: ser alguém comum. Nesta celebração do inconformismo, o premiado Jerry Spinelli tece um conto tenso e emocional sobre os percalços de precisar ser popular e da emoção e inspiração do primeiro amor.

Estava na dúvida na escolha da próxima leitura e A Extraordinária Garota Chamada Estrela (por motivos de um título muito grande, vou abreviar quando citá-lo como: AEGCE) estava na lista. A Ly, do blog Brincando com Livros, me disse para escolhê-lo e que eu iria adorar. Não deu outra, Estrela me conquistou com seu jeito irreverente, suas atitudes fora do padrão, apenas por ser ela mesma.

A história é narrada por Leo, um garoto tímido e que logo se vê encantando pela garota misteriosa. Estrela sorri para todos, canta parabéns para o aniversariante com seu ukulele e arruma sua mesa como se estivesse em casa. Ela é fora do padrão e é isso que a torna extraordinária, até o momento em que passa a incomodar seus colegas.

Muitos adjetivos poderiam ser utilizados para descrever Estrela, mas optei por retirar dois trechos do livro:

“Ela era fugaz. Ela era hoje. Ela era amanhã. Ela era o aroma mais suave da flor de um cacto, a sombra fugidia de uma coruja marrom.”
“[...] Ela é uma de nós, mas de uma maneira mais radical. Ela é como nós, mais do que nós mesmos somos. Ela é, eu acho, quem nós realmente somos. Ou fomos.”

Um dos motivos que me fez amar instantaneamente foi o desprendimento de Estrela para com si mesma, é uma qualidade que eu gostaria de ter. Infelizmente sair dos padrões e fazer o possível para agradar a quem está ao seu redor ainda não é um patamar que eu alcancei. Mesmo sabendo que era ficcional, eu me peguei pensando na personagem principal como alguém real. E em como seria bom se ela existisse e conseguisse contagiar a todos com seu jeito pra lá de especial.

A todo o momento o livro me levou a questionamentos, alguns muito profundos como: “será que essa é realmente a escolha certa?”. Não apenas de escolhas que o enredo se constrói, as críticas à estrutura social nas escolas se encontra lá, afinal, é realmente tão importante ser popular? Acho que todos os adolescentes já passaram por essa fase, essa ânsia por ser notado, mesmo que muitas vezes queiram se fundir à parede e só sair de lá no final do ensino médio.E Estrela não escapa desse estereotipo, apesar de ser diferente, no fundo ela apenas quer se encaixar. O seu relacionamento com Leo prova isso, toda a forma em que ele se desenvolveu foi bela e, no final de tudo, ela conseguiu vencê-lo e conquista-lo, assim como fez comigo. 

AEGCE é um livro cheio de passagens especiais, além de ser muito quotável. O autor não precisou utilizar de artefatos fantasiosos para tornar a narrativa brilhante, pelo contrário, ela soa extremamente real. Penso que isso foi o que mais gerou uma identificação com a história. Ela conseguiu fazer com que eu me recordasse do meu passado, nem tão passado assim, dos meus medos e inseguranças.


É uma leitura mais do que indicada. Gosto de pensar que AEGCE é um tesouro encontrado, aquela ponta de esperança a que nos agarramos e cultivamos. Foi mais um dos casos de ser a história certa na hora certa. É incrível e me fez ter vontade de me tornar uma pessoa-estrela.

17 de julho de 2014

[Resenha] Minha Metade Silenciosa - Andrew Smith

Autor(a): Andrew Smith
Editora: Gutenberg
ISBN: 9788582351246
Páginas: 304
Tradutor: Rodrigo Seabra
Ano: 2014
Skoob
Avaliação: 5/5 + ♥

Sinopse: Stark McClellan tem 14 anos. Por ser muito alto e magro, tem o apelido de Palito, mas sofre bullying mesmo porque é “deformado”, já que nasceu apenas com uma orelha. Seu irmão mais velho, Bosten, o defende em qualquer situação, porém ambos não conseguem se proteger de seus pais abusivos, que os castigam violentamente quase todos os dias. Ao enfrentar as dificuldades da adolescência estando em um lar hostil e sem afeto – com o agravante de se achar uma aberração –, o garoto tem na amizade e no apoio do irmão sua referência de amor, e é com ela que ambos sobrevivem. Um dia, porém, um episódio faz azedar terrivelmente a relação entre Bosten e o pai. Para fugir de sua ira, o rapaz se vê obrigado a ir embora de casa, e desaparece no mundo. Palito precisa encontrá-lo, ou nunca se sentirá completo novamente. A busca se transforma em um ritual de passagem rumo ao amadurecimento, no qual ele conhece gente má, mas também pessoas boas. Com um texto emocionante, personagens tocantes e situações realistas, não há como não se identificar e se envolver com este poético livro.

O motivo principal que me levou a comprar Minha Metade Silenciosa foi a resenha da Ceile (e o outro foi porque o livro estava 14 reais no submarino). Eu demorei a ler o livro porque eu sabia que ia me abalar, de uma forma ou de outra, e não me enganei. De início fiquei um pouco incomodada com a forma como as palavras foram diagramadas (cheguei a achar que era erro), porque o personagem principal (Stark) sofre de anotia (não “tem” uma das orelhas) e isso fazia com que ele só ouvisse do lado esquerdo. Quando havia algum diálogo as palavras eram escritas “meio            assim”, sabe? Mas me acostumei com isso e percebi que fazia parte do lirismo do livro, então parou de incomodar.

Falando de lirismo, esse é, sem dúvidas, um dos mais poéticos que já li. Uma poesia não precisa, necessariamente, conter versos e rimas, e nisso o autor acertou em cheio. Em certas partes as palavras assumem esse tom poético, musicado, no livro. Eu gostei disso, muito. Minha Metade Silenciosa é um daqueles livros que fez com que se eu estivesse em um incêndio correria para salvar.

Narrado em primeira pessoa por Stark, a história nos mostra realmente como ele se sente e, principalmente, como ele se vê. A personalidade de Stark reflete o que o “mundo” fez com ele. Ele não é um garoto rebelde, pelo contrário, mas a forma como ele se enxerga é arrasadora. Crescido em um lar sem amor, a única referência de carinho, amizade, companheirismo, enfim, tudo em sua casa, vem do seu irmão, Bosten.

E essa falta de amor é cruel, claro que em algumas partes existe “felicidade” para Stark e seu irmão, como a amiga de Stark, Emily. Mas existem mais partes tristes, e é isso que torna o livro tão singular e, ao mesmo tempo, tão real. Foi uma sensação angustiante, meio sufocante, ler sobre o drama familiar, é uma daquelas coisas que te deixam com vontade de entrar no livro e colocar ordem em tudo.

Infelizmente, agressão dentro de casa é algo muito comum nos dias de hoje, às vezes podem acontecer com pessoas que conhecemos e a gente não ficar sabendo. E, na maioria dos casos, quando vem à tona, não existe uma punição suficiente para isso. O diferencial do livro, mesmo não sendo uma história feliz, foi essa bagunça de sentimentos que ele me causou. É revoltante ler sobre isso, saber que isso existe, e que nós somos “impotentes”.

Durante a leitura não cheguei exatamente a chorar, a sofrer, mas quando finalizei fiquei com um vazio no peito, uma sensação de estranheza. Sabe quando você perde algo importante, mas não se lembra do que é e mesmo assim sente falta? Foi mais ou menos essa sensação que tive. Minha Metade Silenciosa entrou na lista de um dos melhores livros que já li. Foi perturbadora, com certeza, mas exatamente por isso que ele é um livro único e que, com toda certeza, merece ser lido por muitos.

28 de fevereiro de 2014

[Resenha] De Volta Aos Quinze - Bruna Vieira

Autor(a): Bruna Vieira
Editora: Gutenberg
ISBN: 9788582350799
Páginas: 224
Ano: 2013
Skoob
Avaliação: 4/5

Sinopse: Anita tem 30 anos e sua vida é muito diferente do que ela sonhou para si. Um dia, ao encontrar seu primeiro blog, escrito quando tinha 15 anos, algo inusitado acontece e tudo ao seu redor se transforma de repente. Com cabeça de adulto e corpo de adolescente, ela se vê novamente vivendo as aventuras de uma das épocas mais intensas da vida de qualquer pessoa: o ensino médio. Ao procurar modificar acontecimentos, ela começa a perceber que as consequências de suas atitudes nem sempre são como ela imagina, o que pode ser bem complicado. Em meio a amores impossíveis, amizades desfeitas e atritos familiares, Anita tentará escrever seu próprio final feliz em uma página misteriosa na internet.

Acompanho o blog da Bruna desde 2011 e por isso sei o tanto de potencial que ela tem para escritora. Isso ficou provado em De Volta Aos Quinze, o potencial está lá, mas faltou um pouco a ser explorado na história de Anita.

Bruna criou uma história com uma gama enorme de possibilidades para se explorar, mas, infelizmente, algumas oportunidades de ouro para o crescimento da história foram deixadas de lado. A escrita de Bruna é muito boa, a leitura fluiu de uma forma muito rápida, no entanto, em algumas partes Bruna escorregou no enredo, deixando algumas falhas.

Por se tratar de uma série, eu entendo que algumas coisas sejam deixadas de fora, mas foram muitas pontas soltas deixadas durante a história, e algumas situações a meu ver, não pareceram prováveis de acontecer com uma pessoa de 30 anos de idade. E é aí que mora o problema. Anita é uma pessoa de 30 anos, mas parece que não saiu dos 15. Sua personalidade e suas atitudes refletem o quão imatura ela é. Outro problema na personagem é que ela lembra demais a autora, o fato de nascer no interior, a escola técnica, a preferência por batom vermelho, tudo isso me fez pensar no quanto Bruna se colocou na personagem.

Como eu disse no início, Bruna tem um potencial enorme como escritora, ela possui o dom de escrever uma história para entreter, isso é inegável. Mas ao mesmo tempo, falta aquele crescimento na história, em saber onde adicionar tal elemento ou tirar. Apesar de tudo isso, houve partes que me agradaram na história, e não foram poucas.

Não senti em todo instante a estranheza com tamanha semelhança entre autora e personagem, mas ainda assim, Anita às vezes é bem chatinha e insegura (o que eu não acredito que Bruna seja) e ela muda de opinião tantas vezes durante a história que ao mesmo tempo em que é cansativo, me fez rir das suas trapalhadas.

Acho que tiveram partes que poderiam ser melhores aproveitadas, como a viagem no tempo, isso foi uma jogada muito grande de Bruna, mas pareceu que ela teve medo de arriscar algo a mais na história. Um ponto positivo na história, que apesar da forma que se sucedeu, foi a introdução de um romance para a personagem principal. Apesar de eu não concordar com a forma que aconteceu me pareceu improvável que Anita não soubesse dessa sua paixão recém-descoberta desde o início do livro. Estava bem na cara, pelo menos para mim como espectadora.


A história do livro é legal, divertida em muitas partes, mas Bruna pecou um pouco em não se arriscar. No entanto, isso não tira seu mérito como autora, afinal, esse é só seu primeiro romance. O dom de contar uma história ela possui e eu acredito que com prática, ela irá se tornar uma escritora muito boa. Eu gostei do livro, de verdade, e fiquei curiosa pelo que aconteceu no final, que deixou um buraco enorme para uma continuação. A leitura de De Volta Aos Quinze é indicada, porém não para se entregar com muitas expectativas, ela fluiu rápido e serviu ao propósito de entreter.